Amor e Ódio no 11 de Setembro.

Amor e Ódio no 11 de Setembro.

As 8:00 da manhã do dia 11 de Setembro de 2001 eu estava no Novotel na Zona Norte de São Paulo participando de um treinamento sobre gestão com outras 200 pessoas.

A tarefa daquela manhã era imaginar como seria o mundo em 2011. Quais produtos estariam disponíveis, quais marcas seriam líderes, qual seria o comportamento das pessoas em dez anos, qual seria o tipo de gestão que funcionaria em 2011.

A turma de 200 gestores foi dividida em grupos de 10.

As 9:00 da manhã começaram as apresentações.

Carros elétricos, robôs, computadores que reconhecem a voz de uma pessoa, produtos 100% recicláveis, agricultura sustentável, e internet grátis para todos foram algumas das propostas apresentadas pelos grupos.

Quando chegou a vez do meu grupo, eu fiz questão de apresentar a proposta que eu havia vendido com muita dificuldade para todo o meu grupo: “Em 2011, o mundo inteiro estará conectado, amigo, generoso e humano. O ser humano está melhorando, se tornando mais colaborativo, mais amigo, os problemas de comunicação entre as pessoas está terminando, ricos, pobres, esquerda, direita, todos queremos as mesmas coisas, o ser humano caminha para um futuro brilhante…”

As 10:00 horas a turma saiu para o coffee-break. No lobby do hotel um mega telão mostrava ao vivo as torres gêmeas queimando.

Todos ficamos em estado de choque. A frustração e a tristeza tomou conta de todos. Deu vontade de jogar a toalha, fechar tudo e ir embora para casa. “A porra do ser humano não merece o que tem. Vão para o inferno!”,

Quando cheguei no escritório no dia seguinte – eu trabalhava na Tech Data, empresa americana, matriz na Flórida – a primeira coisa que fiz foi enviar um e-mail para o Vice-Presidente de Marketing da Tech Data nos EUA para falar sobre uma idéia que tive de enviar uma carta em inglês para todos os funcionários da Tech Data EUA expressando os sentimentos da Tech Data Brasil sobre os atentados terroristas.

Brian Gibson, VP de Marketing da Tech Data, respondeu o meu e-mail em poucos minutos: “Ricardo, nem pense em fazer isso. Agradeço a sua preocupação, mas nem pense em fazer isso. As pessoas aqui não querem nem saber de nada de ninguém de fora dos EUA. Fica na sua aí, agradeço a preocupação, mas o sentimento aqui é uma mistura de ódio, indignação e tristeza.”

Até aquele fatídico dia, a grande maioria dos americanos não tinham nem idéia de que o mundo era redondo. Para a grande maioria dos americanos o fim do mundo era na Flórida, ou nas praias da Califórnia ou na esquina da Estátua da Liberdade.

Árabia, Iraque, Afeganistão, Paquistão, Congo, Brasil, era tudo a mesma coisa.

Tudo mudou naquele 11 de Setembro de 2001.

“Como alguém pode nos odiar?”, “O que fizemos de errado?”, “Nós somos o país da liberdade, do empreendedorismo, da igualdade, do american way of life, da possibilidade de ascender na vida independente de onde você vem… por que tanto ódio para cima de nós?”, pensava os americanos.

Infelizmente, o mundo está cheio de imbecis facilmente influenciáveis pela propaganda mentirosa de um monte de maluco de esquerda ou de direita que não tem o que fazer a não ser espalhar ódio.

Os EUA foram pegos de calças curtas naquele 11 de Setembro de 2001 porque os caras só fazem uma coisa na vida: TRABALHAR, TRABALHAR, TRABALHAR TUDO para inventar produtos e serviços que possam melhorar a vida das pessoas.

Enquanto um bando de terroristas malucos passavam 20 anos das suas vidas pensando em como matar pessoas e alimentar o ódio, milhões de americanos invistiam cada segundo das suas vidas para empreender alguma coisa boa para seu país e o mundo.

O 11 de Setembro gerou ódio sobre ódio. O invasão do Iraque e demais guerras iniciadas pelos americanos abriram feridas que vão alimentar os sonhos tarados dos filhos do Bin Laden por muitos e muitos anos.

Apesar de tudo que aconteceu nos últimos 10 anos, eu continuo otimista e confiante nas pessoas. Eu estou colocando filhos no mundo – terceiro filho está a caminho – porque acredito que o futuro pode ser brilhante para todos nós.

O mundo está uma MERDA!

A corrupção rola solta, a mediocridade também. O ódio racial, sexual e religioso é abusivo. Comemos droga todos os dias, assistimos televisão sem questionar nada, trabalhamos em média 12 a 14 horas por dia – para pagar as contas e viver longe dos filhos e família. Nas grandes cidades do Brasil você pode ser sorteado a qualquer momento para levar uma bala na cabeça. O número de pessoas procurando emprego público para garantir o seu nunca foi tão grande.

O mundo está uma merda!

Por outro lado, vivemos a melhor época da história da humanidade. Somos a geração mais criativa, inteligente, ágil e generosa de toda a história da humanidade.

Eu tenho ORGULHO de viver no dia de HOJE.

Tanta míseria, tantos recursos. Tanto ódio, tanto amor. Tanta sacanagem, tanta honestidade. Tanta porcaria, tanto cuidado. Tanta corrupção, tanta moral.

Quem vai vencer essa batalha?

Depende de você.

A batalha entre o inferno e o céu nunca foi tão clara.

As vezes a equipe do mal ganha reforços, as vezes a equipe do bem vira o jogo.

Eu sei qual é o meu lado, e vou morrer lutando por ele.

De qual lado você está?

“Aquele que não morreria por uma causa, não merece viver.”

Que o atentado do 11 de Setembro ajude as pessoas a serem mais generosas umas com as outras.

Que as pessoas nunca mais esqueçam do que aconteceu, e da sua responsabilidade de evitar que algo parecido possa acontecer.

 

12 comentários em “Amor e Ódio no 11 de Setembro.

  1. Acredito que o mundo pode ser melhor e vai ser. Mas acredito também que isso só vai acontecer se questionarmos as “verdades” que estão aí.
    O povo americano é um povo trabalhador, inovador e brilhante. Mas os seus líderes não estão nessa categoria.
    Quanto ao 11 de setembro, a maioria dos americanos não acredita na versão oficial empurrado pelo governo americano. Basta fazer uma procura no google que você encontrará diversas pesquisas que afirmam isso.
    A política do governo americano de invadir e conquistar continua a pleno vapor. Invasões de países com o falso pretexto de “guerra humanitária” para libertar o país de um ditador que eles mesmos colocaram lá. O governo do EUA é o maior genocida do planeta.
    Quero deixar bem claro que me refiro aos governantes e não ao povo dos EUA.
    Finalizo convidando quem quiser sair do mundo de mentira que pinta os EUA como um exemplo para o mundo a questionar, pesquisar e se informar sobre a política de dominação e exploração de países do mundo todo pelos EUA

  2. Olá Ricardo,
    Concordo com vc que o mundo está cada dia mais difícil, e que temos e podemos muda-lo, também fico feliz de viver nesta geração.
    Quanto a tragédia que aconteceu no EUA, o que mais chocou foi o fato de presenciarmos ao vivo o que aconteceu, foi chocante mesmo. Mais isto não me faz ter uma visão dos EUA como vítimas, infelizmente vários inocentes perderam as suas vidas, mais isto é devido ao lider que eles, como nós, colocamos para governarmos. Veja o filme W. de Oliver Stone, que retrata a vida de George W. Bush e depois me fale o que achou.
    Cara, quantas vidas foram e são perdidas devido a ganância dos governantes em manter o império. Milhares de vidas se perdem a cada dia nas guerras que o EUA estão envolvidos, principalmente de americanos. Enquanto os bam, bam, bans, ficam na boa. Isto é osso!!! Sempre foi e sempre será assim.
    Cara, ainda vivemos em um mundo medieval e isto é fato!!! Não sabemos, ainda, o que vivem aqueles que tem as suas terras envadidas por outras nacionalidades.
    Todas as inovações que temos hoje, boa parte veio do povo trabalhador americano, e nada mais.
    Meus sentimentos para todos aqueles que são vítimas da insanidade e da ganância de seus governantes que tem sede de poder.
    Abraços

  3. Adrylan,
    O governo mais genocida que eu conheço atualmente é o governo brasileiro.
    Apesar dos bilhões pagos em impostos todos os dias por milhões de brasileiros, os FPDs do governo não criam escolas, faculdades, segurança e hospitais.
    Por conta dessa bandalheira que se chama governo brasileiro fruto da passividade do povo, todos os anos 50 mil pessoas são mortas a bala no Brasil, e sei lá quantas milhares de pessoas morrem todos os anos por falta de segurança, hospitais, saúde e outros problemas que o governo genocida desse país já poderia ter resolvido.
    Os EUA não tem nada de genocida. Os caras querem apenas vender hamburger, iPads, carros, aviões, roupas, filmes de cinema, ar condicionado etc etc etc em todo o planeta. O negócio deles é MARKETING e não subjulgar pessoas ou fazê-las acreditar em alguma religião.
    Terminada a 2o grande guerra, os caras se meteram em todos os conflitos que poderiam levar o mundo a seguir um caminho “não-mercantilista”. Os EUA não são imperialistas. A última grande potência imperialista que surgiu no mundo foi a Inglaterra. O próprio Churchill chamava a Inglaterra de “Império” lá pelos anos 40.
    Os EUA só querem vender. E desenvolver “mercados” em tudo quanto é lugar para que eles possam vender. Ponto.
    Se ter um carro, morar em uma casa com ar condicionado, ter acesso a internet com banda larga, ter um ipad, televisão com 100 canais, livros, revistas, cinema, teatro, parques, aeroportos, filhos na escola, churrasco no quintal, cerveja no final da tarde, torcer pelo seu time de coração com segurança e o escambau é ser do mal, então, você, eu, todo mundo aqui é do mal. Porque eu não conheço um zé que seja que não queira viver com conforto e segurança.
    Vamos que vamos!
    Ricardo

  4. “Por outro lado, vivemos a melhor época da história da humanidade. Somos a geração mais criativa, inteligente, ágil e generosa de toda a história da humanidade.”
    Eu acho, infelizmente, que é o contrário. Os gênios estão em falta. Se hoje existe 1 Steve Jobs, há 50/100 anos existiam vários. Onde estão os pintores geniais? E os músicos(Os poucos que restam estão morrendo)? Nem jogadores de futebol existem mais como antigamente.
    A única coisa que me motiva são as inovações tecnológicas em geral. Esses cientistas sim mudam o mundo. Células-tronco, nanotecnologia, biocombustíveis.. etc.
    Mas confesso que também sou otimista e faço minha parte para tentar mudar tudo isso. Fiquei feliz com as últimas manifestações contra a corrupção aqui no Brasil. Há uma esperança =)

  5. Grande Jean!
    Os clones do Steve Jobs ou John Lennon existem. Apenas não estão na globo, na veja, na folha de são paulo etc. Eles estão no barzinho da esquina da rua desconhecida tocando MPB como ninguém, ou escrevendo em algum blog obscuro, ou trabalhando em uma empresa que atende meia dúzia de clientes.
    Vivemos uma era de micro-nichos.
    Não balize a era que vivemos pela mídia de massa. O próximo Beethoven não será descoberto pela rede bobo ou pelo faustão. O próximo Beethoven já está rolando, e talvez você nunca venha a conhece-lo. Mas o cara está fazendo a diferença para um micro-nicho.
    E as coisas daqui para frente serão assim mesmo. E seria uma puta sacanagem se não fosse. Se tivessemos que cultuar apenas 1 ou 2 ou 3 caras, ao invés de darmos chances para 3 mil carinhas fazer a diferença simultaneamente.
    Evoluimos, ainda bem!
    De vez quando um mega-blaster-sucesso vai aparecer (luan santana, lady gaga etc) vão aparecer porque a mídia de massa PRECISA de um produto. Eles são apenas PRODUTOS, e não algo autêntico.
    Não se preocupe em ser famoso, mas em ser relevante para quem te cerca.
    NADA MENOS QUE ISSO INTERESSA!
    Ricardo

  6. Ricardo,
    Concordo contigo em tudo o que disse, mas você não concorda que o problema dos EUA está na forma como ele faz? Isso é imperialismo, onde já se viu invadir um país, matar muitas pessoas, alegar fatos falsos como razão. De fato são eficientes em realizar a venda da mesma forma que o Bin Laden foi em destruir as torres.
    Mas não acha que o preço é muito alto? E se você tivesse familiares que marassem em um país invadido pelos EUA? E se você próprio morasse lá?
    Eu acredito que os caras vendem uma religião, só que uma religião sem Deus ou ícones inatingíveis. Uma religião que transforma o estilo de vida das pessoas para que estas consumam sempre mais e mais de seus produtos. Sempre foram bons nessa tal de religião, catequizaram seu próprio povo a muito tempo atras, e quando isso não era mais o suficiente… Começaram a pregar pelo mundo, não gostou? Invadido! Gostou do outro? Bloqueado (Cuba)!
    Eu, não vejo muitas diferenças entre o Bin Laden e o governo dos EUA. Ambos se estruturam em cima de um povo apaixonado por coisas distintas (EUA, basicamente pela inovação, criatividade e empreendedorismo, e a fé xiita que convence seus seguidores a treinar e se empenhar por uma vida inteira para se preparar para UM dia, e neste dia, se matar, de fato, por uma causa imposta por uma outra pessoa: Bin Laden).
    Acredito que uma pessoa que é a favor de pelo menos uma dessas 2 partes, por mais impressionante e competente que sejam deva repensar o meio usado de forma similar a essa: “Vale pagar o preço? De fato grandes inovações que alavancaram o mundo nos últimos anos surgiram para satisfazer necessidades de guerra.”
    Vale o preço? Eu vejo que não! Não ia gostar caso os EUA enviassem tropas fortemente armadas ao Brasil para “conquistar mercados”. E você? Gostaria?

  7. Como que ele respondeu 2 a 3 posts acima sendo que o meu comentário foi uma resposta ao dito cujo post dele que está 2 a 3 posts acima?
    Se não ficou claro perante o que eu discordo, desculpe, mas segue abaixo os pontos:
    *”e não subjulgar pessoas ou fazê-las acreditar em alguma religião.”
    *”Os EUA não são imperialistas.”
    *”O governo mais genocida que eu conheço atualmente é o governo brasileiro.” (existem governos na áfrica que são realmente genocidas! Que investem em armas para matar outros povos!) > não citei em meu comentário, mas discordo.
    De resto, concordo com tudo o que o Ricardo disse e ficaria feliz com uma resposta matadora!
    Abraços

  8. Pedro,
    Hoje existem mais de 1 milhão de carros no Afeganistão. 5 anos atrás existiam apenas 50 mil carros.
    Você acha que os 950 mil afegãos que agora podem comprar um carro próprio para ir e vir de onde quiserem acham que a vida deles piorou depois que os imperialistas chegaram por lá?
    Sim, os americanos vendem um estilo de vida. O estilo de vida que todo mundo quer ter, inclusive você.
    Sim, é claro que os americanos só entram em países que “estrategicamente” são interessantes para eles. Ajuda humanitária é coisa da ONU e olhe lá. Porém, na maioria dos países da África e no Oriente Médio só tem corrupto ou tirano atrasando a vida de milhões.
    Deveríamos deixar quieto ou deixar para lá?
    Eu não gostaria que a minha cidade fosse ocupada por gente de fora. MAS, se nós não somos capazes de tocar a nossa própria vida, e existe alguém de fora com mais força e conhecimento para nos ajudar a nos organizar, por que não?
    Se o preço para pagar por isso é trocar conhecimento por recursos naturais, por que não?
    Eu penso que estamos passando por um período de transição de uma sociedade materialista para uma sociedade + pé no chão preocupada com o bem estar geral, do planeta, das nações etc.
    Como já falei várias vezes, estamos na era dos micro-nichos.
    O “imperialismo” seria você ser obrigado a comer McDonalds, calças da Levis, carros da GM, computadores IBM, e televisões Samsung.
    Ser obrigado a consumir as grandes empresas é imperialismo.
    Isso não está rolando mais. Você tem a chance de escolher. Escolher entre um produto feito a mão por um artesão do seu bairro ao invés de comprar algo feito as massas na China e que leva a marca da uma empresa Holandesa.
    Você não precisa comer no McDonalds, você pode comer no Chico Hamburger. Você não precisa comprar computador IBM, você pode comprar computador de uma das 20 marcas nacionais que tem por ai. Você não precisa se hospedar no Marriot na sua próxima viagem, você pode escolher por uma cadeia de hoteis regionais que oferece um atendimento tão bom quanto o Marriott.
    O “imperialismo” que trouxe um modus operandis padrão agora dá lugar para as pequenas empresas espalharem seus produtos e serviços.
    Nós temos essa opção. E eu não chamo isso de imperialismo, mas de um estilo de vida onde temos opções e liberdade para escolher as coisas
    Vamos que vamos!!
    Ricardo

  9. Esta é mesmo uma discussão de amor e ódio. E eu acho que o que mais importa aqui é: “Na porrada vale qualquer coisa?” Esta é a questão primordial porque o resto é uma questão de ponto-de-vista, democrático ou não.

  10. “milhões de americanos invistiam cada segundo das suas vidas para empreender alguma coisa boa para seu país e o mundo”.
    ô alienado alienígena,
    Teu chefe te achava um imbecil, teus colegas te achavam imbecil e eu também te acho um imbecil.

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