50 anos. 50 histórias Jordânicas.

No próximo dia 29 de dezembro eu vou fazer 50 anos.

Eu me sinto com 15 anos.

Então, para celebrar essa marca, eu vou contar 50 histórias sobre a minha vida. 5

0 histórias sobre 50 momentos, pessoas, coisas que marcaram a minha vida e fizeram quem eu sou.

As 50 histórias serão uma espécie de biografia sobre a primeira parte da minha vida.

Que tal?

Gostou da idéia?

Então … confere…

História #50 – O Revoltado.

Eu nasci no dia 29 de dezembro de 1969 no bairro da Aclimação na cidade de São Paulo.

Eu nasci no ano em que o homem pisou na Lua.

O meu pai chama José.

A minha mãe chama Maria.

Eu sou o filho do meio.

O filho revoltado.

Eu tenho um irmão mais velho e uma irmã mais nova.

Quando eu era criança eu até pensava que eu era adotado por pensar tão diferente de tanto papo furado que eu escutava em casa, na escola ou na televisão.

Eu nunca me encaixei.

Nem em casa nem na escola nem em lugar nenhum.

Eu colei em todas as provas da escola a partir da 3a série do primário.

Todo ano eu passava de ano raspando.

Eu ficava de recuperação em todas as matérias e passava o mês de dezembro inteiro estudando o mínimo para passar de ano.

Eu não estudava nada porque eu não queria fazer faculdade de nada e muito menos ter uma carreira em algum lugar.

Eu sempre quis ser dono da minha própria vida com as minhas próprias regras e fazer o que eu bem quisesse com ela.

Eu sempre quis ser LIVRE!

Eu questionava tudo que tentavam me ensinar na escola e na vida porque eu sempre li muito.

Eu devoro livros desde que me conheço por gente.

Nem vem com papo de religião para cima de mim. Eu já li tudo sobre todas.

Nem vem com papo sobre esquerda ou direita para cima de mim. Você provavelmente nem sabe o que cada lado significa.

Enquanto os meus amigos andavam com video game na mão, eu andava com um livro. Enquanto eles pegavam a mulherada, eu lia livros. Enquanto eles ficavam assistindo filme pôrno na casa de alguém, eu estava na biblioteca municipal ao lado do Colégio Anglo Latino – a escola que eu passeava todos os dias – para ler os livros que eu queria ler.

Na escola eu só não colava em português, inglês e história – eu arrebentava em história. Eu queria comer a professora. Eu e o diretor da escola. Eu acho que ele comia – Mas eu não estudava para essas matérias, eu simplesmente tinha facilidade em escrever português, absorver histórias e entender o idioma do rock.

O resto, dane-se!

Eu era o rebelde com causa. Com 7 anos eu queria mudar o jeito dos professores darem aula. Eu questionava os professores durante a aula. Eu tinha sugestões para a didática das aulas. Eu era suspenso. O meu recorde de suspensão foi 5 dias. A minha mãe chorava todos os dias. O meu pai me batia com chinelo, cinto, mão, punho, chute, e com todo de objeto que não matava, apenas marcava.

Eu era uma peste. Um demônio. Eu só vestia preto, camisetas do IRON, METALLICA e FUCK OFF, cabelo comprido até o meio das costas, coturno do exército, braceletes a lá MAD MAX e todo tipo de acessório que levava as velhinhas a fazer o sinal da cruz quando cruzavam comigo na rua.

O meu cheiro também não era nenhuma maravilha. Banho não fazia parte do meu “luki”. Eu era fã do Cascão. 

Para pegar um ônibus eu tinha que pedir para alguém fazer o sinal para mim. Ônibus nenhum parava para eu subir.

E ai… você agora deve estar pensando… “Jordão, o que fez você mudar quem você é? Hoje você é totalmente diferente!”

Hahaha… é ai que você se engana… essa é a primeira lição dessa história.

EU NÃO MUDEI NADA.

Eu continuo REVOLTADO e é isso mesmo que me diferencia do resto.

Eu NUNCA deixei a sociedade mudar quem eu sou.

Eu sou fanático pelo METALLICA mas não tenho saco para andar com outros fãs do METALLICA. Eu sou corinthiano mas não tenho saco para andar com outros corinthianos. Eu gosto de correr mas não tenho saco para andar com a galera que corre. Eu gosto de ler mas não tenho saco para andar com quem gosta de ler. Eu amo vendas mas não ando com gente que só fala de vendas.

Eu não sou bitolado!

Eu não pertenço a nenhuma tribo.

Eu adoro mil coisas mas não sou baba-ovo de absolutamente nada.

EU ESTOU ACORDADO!

Eu sempre estudei mil coisas diferentes para conseguir criar o MEU PRÓPRIO JEITO DE SER. O MEU ESTILO. A MINHA CARA. A MINHA MARCA. O MEU NEGÓCIO. A MINHA VIDA. O MEU DESTINO.

Vai ser do MEU JEITO ou não tem jeito.

E olha, tem sido do meu jeito.

ARREBENTA!!

QUEBRA TUDO!

VAMOS PRÁS CABEÇAS!

Eu sou filho da classe média. O meu pai era funcionário da indústria da auto-peças e a minha mãe era professora do primário.

Em casa tinha arroz, feijão, carne moída e AMOR todo santo dia.

Eu jogava futebol na rua com meia social marrom porque a meia de lã branca era cara prá caraio.

Eu era zoado o tempo todo por isso, e dava na cara de todo mundo que zoava, e tomava outras também. Na minha infância o bullying comia solto e a porrada também. Eu ia pra cima. Apanhava, batia e foda-se.

Batata frita e bife eram itens de luxo em casa. Luxo que rolava umas duas vezes por mês. Nunca faltou nada em casa. Mas os meus pais nunca tiveram grana extra para comprar as excentricidades dos filhos.

Quando criança eu ganhava presentes somente nos dias das crianças, aniversário e natal. E olhe lá. Mas não se deixem levar pelas aparências, eu tive uma infância MUITO FELIZ.

AGORA… eu precisava de dinheiro para comprar os discos dos Beatles, Iron Maiden e Metallica e os livros da Agatha Christie. Então, logo cedo eu descobri O CAMINHO DAS VENDAS. Para levantar o dinheiro necessário para comprar os discos e livros que eu tanto queria, eu fiz duas coisas na minha infância: bolão de futebol na escola e festinhas no bairro.

O Bolão de futebol é uma maneira gourmet de explicar o fato de que eu era bicheiro com 8 anos de idade. Hehehe. Todas as semanas eu percorria as salas do colégio chamando a galera para fazer suas apostas no clássico de futebol que ia rolar no final de semana. Eu levantava umas vinte páginas de apostas e trocentas centenas de reais de marmanjos que estudavam no colegial e eram muito mais velhos do que eu. Como ninguém tinha certeza de quantas pessoas haviam apostado no bolão, eu mesmo definia o tamanho do prêmio que o vencedor faturava e o quanto eu ia embolsar. Eu pagava bem! Desde cedo eu aprendi a dividir os lucros, caso contrário, o negócio teria ido para o saco. Eu lembro que eu pegava para mim o mesmo valor que eu dava para os vencedores. Eu comprei muitos discos, revistas e livros com o dinheiro do bolão.

Quando eu cresci um pouco mais, eu comecei a organizar festinhas de bairro no prédio onde eu morava na Aclimação em São Paulo. As festinhas foram uma maneira de me enturmar com a mulherada mais velha. O colégio inteiro conhecia a turma que me ajudava a organizar as festinhas. Rolou todo tipo de festinha, anos 60, anos 70, anos 80, pijama, fantasia, porca e parafuso e muito mais. Como eu era o organizador da festa, eu decidia quem ia entrar ou não na parada. O segurança era o meu professor de musculação. Um gigante. 60 de bíceps sei lá. O nome dele era Luiz. Ele era sparring do Maguila, o boxeador. Quem se lembra do Maguila? Eu lembro do Luiz! A única instrução que eu dava para o Luiz era, “Homem bonito não entra na festa. Manda embora.” E não entrava mesmo. Ele barrava todo playboyzinho metido a galã. Só tinha homem feio na festa + meus amigos e a mulherada. Desde cedo na vida eu aprendi a adotar técnicas de guerrilha para lidar com a concorrência. Hehehe. Eu ganhei muito dinheiro com as festinhas que rolavam no meu prédio. No final da noite, em cima da minha cama, só se via uma montanha enorme de dinheiro amassado. Era o meu Primeiro Everest.

volte amanhã, eu vou publicar uma ou duas histórias por dia até o dia do meu aniversário de 50 anos de idade que vai rolar no dia 29 de dezembro de 2019. Eu espero que essas histórias possam inspirar vocês a serem pessoas mais fodas.