
A música sempre teve uma grande influência na minha vida. Foi ouvindo Beatles, Rock, Punk, Heavy Metal e Música Eletrônica que eu fui fazendo a minha cabeça e moldando quem eu sou. O grito QUEBRA TUDO, por exemplo, é filho do meu lado PUNK ROCK que sempre foi a base de tudo.
Eu comecei a ouvir a música PUNK com 10 anos de idade quando me meti a andar de skate. Com 13 anos eu já deixava a minha mãe maluca com o “barulho” do Sex Pistols, Suicidal Tendencies, Metallica, Toy Dolls arrebentando as caixas de som mequetrefi que tinha em casa.
Para a infelicidade da minha mãe, o barulho estava apenas começando. Com 12 anos eu ganhei uma guitarra chingue-lingue e montei a minha própria banda de punk-porrada-metal-rock para arrebentar o bairro.
A banda se chamava SINE QUA NON – que significa “uma condição pela qual não se pode ser”. Eu escrevia letras e músicas sobre mudar o mundo, derrubar o governo, arrebentar as escolas, enfim, quebra tudo geral!
A “condição pela qual não pode se pode ser” a que nos referiamos nas músicas que fazíamos era sobre acabar com a pobreza, ignorância, preconceitos, diferenças sociais etc. Não que a minha vida fosse ruim, pelo contrário, eu fui filho da classe média, nunca me faltaram comida, educação, pais presentes, avós, amigos, livros e revistas na minha casa.
Eu não tinha do que me queixar, mas, eu queria me queixar em nome das pessoas que não tinham como se queixar.
A fúria que crescia dentro de mim foi alimentada pela música gringa, mas também por dois caras especiais que faziam música nos anos 80.
Um deles, vocês todos conhecem, o fantástico e inigualável RENATO RUSSO da Legião Urbana.
O segundo, pouco conhecido do populacho, é o Redson, vocalista, guitarrista, letrista e líder do Cólera.
Redson, morreu na última terça-feira dia 27 os 49 anos de idade. Parece que Redson sofreu uma parada cardíaca.
Em seu Twitter, João Gordo – outro ANIMAL – lamentou a morte do Redson. “É com lágrimas nos olhos que recebo a notícia da morte prematura do maior îcone do punk brasileiro .. DESCANSE EM PAZ REDSON”, disse o vocalista do Ratos de Porão.
O Cólera foi a primeira banda independente do Brasil a fazer uma turnê pela Europa, em 1987. Seus primeiros discos, “Tente Mudar o Amanhã” (1984) e “Pela Paz em Todo Mundo” (1986), lançados pelo selo Ataque Frontal, são considerados alguns dos mais importantes do gênero no país. A banda continuava na ativa. Seu último disco, “Deixe a Terra em Paz”, foi lançado em 2004.
A música tem a capacidade de mudar o mundo e as pessoas. Por isso cuidado com a música que você ouve. Música de corno te transforma em um corno. Música de Cólera, mexe com o seu sangue e te transforma em um cara blindado cheio de amor próprio e vontade de falar o que pensa.
A música do Redson e do Cólera mudou a minha vida dos 12 aos 20 anos de idade. Se esses caras não tivessem transformado a música em uma plataforma energética para exigir mudanças, eu talvez tivesse me tornado em mais um funcionário corporativo de cabeça baixa em alguma empresa bacanosa que tem por ai.
Ontem, durante a homenagem ao LEGIÃO URBANA no Rock in Rio, Toni Platão dedicou a música “Quando o Sol Bater na Janela do Seu Quarto” para o Redson.
Eu fiquei arrepiado, e as lágrimas rolaram nos olhos, ouvindo a colisão da LEGIÃO com o CÓLERA.
Descanse em Paz Redson.
BOTA FOGO NO CÉU!!!
Ouça a música PELA PAZ EM TODO O MUNDO do Redson e do Cólera:
Eu me importo!
Eu me importo!
Eu me importo!
Pela Paz Pela Paz
Pela Paz em Todo o Mundo!
Muito Obrigado Redson!
Cara…
Eu sempre tive o pressentimento de que você um dia havia sido um punk rocker…
Suas idéias, forma de falar e agir condizem com um cara que conhece os dois lados da moeda…
Me identifico pra caralho com as coisas que você posta no seu site/blog.
Com esse post você confirmou o que eu suspeitava.
Poucos conseguem compreender o que é o Punk Rock e o Hard Core por trás do barulho das distorções, o espancamento da bateria e as vezes por trás dos gritos, berros e desespero no microfone.
Fato é que a energia de Ira e Cólera por trás do Punk Rock move milhões de revolucionários como você e eu em busca de um fucking better world…
A música mudou minha vida… toquei, gravei, viajei, fiz turnê… toquei em um monte de buraco com punk remelento e com uns caras que tinham muito conteúdo… tudo isso me ajudou a compreender que a vida não é brincadeira e que é preciso ter senso de urgência…
E se não temos um motherfucker de um exemplo no poder, sejamos nós o exemplo que queremos na sociedade.
Vai ser muito massa quando concretizarmos seu curso aqui em Curitiba… teremos muitos assuntos pra conversar.
Quanto ao tema do post… que bom seria se tivéssemos um exército da Paz com milhares e milhares de Redsons revolucionários fazendo a diferença.
Sobra a saudade e a obra.
#ARREBENTA.
Grande Julio!!!
Vamos que vamos, é isso ai mesmo. Coitada dessa geração Millenium que tem apenas restarts e outras tranqueiras para ouvir e seguir.
A gente se vê em Curitiba!
ARREBENTA!!!
Ricardo