O defunto nem foi enterrado e o mundo corporativo vende o caixão.

Semanas atrás eu testemunhei uma cena bizzara. Pelo menos para mim. 

Depois de alguns "quarters" sem bater meta, uma big fucking multinacional corta um gerente de novos negócios responsável por desenvolver as áreas X, Y e Z.

Não precisou 2 minutos para os colegas de trabalho do demitido se reunirem no centro do escritório para conversar sobre duas decisões incrivelmente cruciais e críticas para o sucesso da fucking multionacional:

1. Quem vai ficar com o carro do cara. 

2. Quem vai ficar com o escritório do cara. 

Uma rodinha de três gerentes de contas se forma. 

Um gerente, que ganha 30 mil por mês, diz para o outro:

"E ai, quem vai ficar com o carro dele?"

O outro gerente, que também ganha 30 mil por mês, responde:

"É minha vez. Faz 4 anos que eu estou com o mesmo carro da empresa. Agora é a minha vez."

Depois de uns 15 minutos de discussão para ver quem leva o carro do defunto, os pimpolhos mudam o assunto. 

O terceiro gerente pergunta:

"Mas… quem vai ficar com a sala dele?"

Aí, o bicho pegou. Não teve acordo, os três brigaram, discutiram, arrancaram as unhas, ficaram descabelados e o escambau. 

Não conseguiram chegar a nenhuma conclusão, e prometeram levar a discussão para o tapetão, no caso, a sala do gringo. 

Parece piada mas a cena é real. Eu estou falando de uma big fucking multinacional que vende produtos na novela das oito. Eu estou falando de três adultos pais de família, cabelos ensebados, ternos ambulantes. 

Triste, triste por diferentes razões, mas acima de tudo por saber que o sonho de consumo dessa turma é ter uma sala envidraçada na Berrini em São Paulo com a janela voltada para o Rio Pinheiros e a tal da Ponte Estaiada. 

Triste, muito triste. 

Você conhece alguma história parecida? 

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4 comentários em “O defunto nem foi enterrado e o mundo corporativo vende o caixão.

  1. Conheço várias.
    Mas na boa? É mediocridade demais para ficar celebrando.
    “Dê a César o que é de César”
    Se eles querem uma sala, uma mesa, uma cadeira de couro para olhar para a vista “privilegiada” da cidade e baforar charutos com os pés na mesa, pensando “Sou esperto como papai me ensinou. O mundo me pertence” que seja.
    Isso não muda nada. Medíocres buscam mediocridade.

  2. Sempre fiquei em dúvida sobre vc dizer “sou fã do ser humano”. Como assim? Só dá pra ser fã de alguns seres humanos ou de um modelo de ser humano que não é que se vê todos os dias.
    Essa história, pra mim, retrata o ser humano que conheço. Covarde, medíocre, etc.
    Não consigo abandonar a idéia de que a realidade é uma farsa, pelo menos até onde consigo ver do mundo. É aquela história de que vc não é que o diz que é ou que pensa que é, mas o que faz.
    Então, baseado nisso, tem muito sobre a realidade, sobre o ser humano que não sabemos até que aconteça situações como esta ou infinitas outras onde naquele momento nós somos nós mesmos. Invejando, cobiçando, golpeando, mentindo, dissimulando, etc.
    Enfim, tudo que realmente quero é que alguém possa rebater este comentário e que me ajude de fato a ver as coisas de uma forma diferente. Eu realmente não gostaria de ter a opinião que tenho. Mas nem sempre opinião e paradigma, autênticamente falando, dependem de escolhas.

  3. Qualé o problema??? é a regra do jogo cambada de hipócritas! se meu chefe bobear enfio ele no caixão e tomo-lhe a sala, o carro, o celular e até a gostosa da secretária.

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