Nem o titirica vai parar o comércio eletrônico brasileiro!

Marisa

Eu acabo de voltar dos EUA depois passar uma semana inteira mergulhado de cabeça no que existe de melhor em comércio eletrônico no mundo atual. 

Foi uma semana incrivelmente intensa. 

Eu fui no Annual Summit do Shop.Org em Dallas – o maior evento sobre ecommerce dos EUA. 

No meio do caminho, visitamos empresas incríveis como a fabulosa Amazon em Seattle, a DELL em Austin, a Woot e JC Penney no Texas.

Eu não fui sozinho. Eu fiz parte da Missão Ikeda, iniciativa matadora da Ikeda – líder em software de comércio eletrônico no Brasil -, que reuniu operações brasileiras campeãs de ecommerce como a Passarela, Paqueta, MegaMamute, Centauro, Le Postiche, eLens, Chaordic, ClearSale, AD.BRAZIL, Anita OnLine, Shopping UOL, Marisa, entre muitas outras para juntos abrirmos as portas do primeiro mundo para o ecommerce brasileiro. 

Enquanto 1 milhão de brasileiros ignorantes votavam no tiririca, eu estava nos EUA promovendo o ecommerce brasileiro. 

O Annual Summit foi muito bacana. Durante o evento o grupo foi exposto a palestras incríveis da ShoeBuy, Southwest Airlines, Urban Outfitters, GAP entre outras. 

Entretanto, os brasileiros sairam do evento com a impressão de que eles "já sabiam" de muitas coisas que ouviram por lá. 

Ecommerce Social, Mídias Sociais, Mobilidade, Vídeos, Integração MultiCanal, CRM, Realidade Aumentada e Personalização de Conteúdo – alguns dos temas mais martelados durante o evento -, não foram novidades para a grande maioria dos brasileiros. 

Já faz alguns anos que o comércio eletrônico no Brasil está bombando. 

Com faturamento de R$ 7,8 bilhões nos primeiros sete meses desse ano, o comércio eletrônico brasileiro cresce mais que qualquer outro setor do varejo. 

O ecommerce brasileiro já fatura mais do que todos os shopping centers da grande São Paulo juntos!!!

A previsão é que o ecommerce brasileiro fature 35% mais do que em 2009. 

Eu mesmo acredito que em 3 ou 4 anos teremos um palestrante brasileiro no Annual Summit contando as suas experiências empreendedoras. 

Ao invés de ShoeBuy, teremos a Paquetá, ao invés da Urban Outfitters teremos a Marisa. 
Mas nada desse resultado é consequência de alguma ação nacional em pró do comércio eletrônico brasileiro. 

O sucesso do comércio eletrônico brasileiro é resultado do trabalho individual das pessoas que fazem o ecommerce brasileiro. 

O Brasil, como todos já sabem, ainda não é um país tecnicamente feito para empreender. 
Nos últimos dez anos o governo não ajudou em absolutamente em nada no desenvolvimento do ecommerce empreendedor brasileiro. 

As estradas, aeroportos, ruas, avenidas – meios tão importantes para o desenvolvimento das lojas virtuais – continuam a mesma droga de sempre. 

As escolas públicas, sejam elas quais forem, não ensinam nada de nada sobre o mundo digital, o comércio eletrônico, ou qualquer coisa do tipo. A inclusão digital ainda é um sonho para a grande maioria dos brasileiros, e a falta de desenvolvimento de pessoas também. 

Os impostos brasileiros, continuam abusivos como sempre foram; apesar da redução de custos ou ganhos de produtividade que o ecommerce trouxe para todos os envolvidos, o país continua burrocrático, complicado,complexo e confuso.

As políticas trabalhistas, ou o custo Brasil para contratar funcionários, continua o mesmo. Somos o país mais safado do mundo em termos de ações trabalhistas. Não há qualquer estímulo, pelo contrário, apenas incentivo para a malandragem correr solta no país. O cenário trabalhista no Brasil é um grande impecilho para a contratação, retenção e desenvolvimento de excelentes "cérebros de obra". 

Os líderes do ecommerce brasileiros são verdadeiros heróis solitários trabalhando todos os dias pelo desenvolvimento digital desse país tão carente de heróis e boas idéias. 

Quando o Submarino, a Livraria Cultura, a Passarela, a Centauro cumprem as promessas de entrega dos pedidos colocados em suas lojas virtuais, eles fazem porque os seus parceiros logísticos não desistem de entregar pedidos em meio a estradas esburacadas, complexas leis fiscais, trabalhistas, falta de mão e cérebro de olha qualificada, e completa falta de incentivo para crescer. 

Com o resultado das eleições desse último domigo, vê-se pela frente a continuidade das políticas medíocres, corruptas e populistas que vimos até agora no governo lula e outros bichos. 

Aparentemente não há qualquer sinalização de que o país mudará radicalmente a sua infraestrutura para favorecer o empreendedorismo, ou o e-empreendedorismo. 

Ainda assim, os corajosos a frente do ecommerce brasileiro continuarão a mudar a cena digital desse país. 

Em alguns anos, o "Nós Já vimos de Tudo", se transformará no "Nós já Fizemos de Tudo". 

Com ou sem tiririca, dilma ou serra.